Declaração Doutrinária








Indice


Capítulo 01 - As Escrituras Sagradas

Capítulo 02 - Deus e a Santíssima Trindade

Capítulo 03 - O Decreto de Deus

Capítulo 04 - A Criação

Capítulo 05 - A Providência

Capítulo 06 - A Queda do Homem; o Pecado e Sua Punição

Capítulo 07 - O Pacto de Deus

Capítulo 08 - Cristo, o Mediador

Capítulo 09 - Livre-Arbítrio

Capítulo 10 - A Chamada Eficaz

Capítulo 11 - A Justificação

Capítulo 12 - A Adoção

Capítulo 13 - A Santificação

Capítulo 14 - A Fé Salvadora

Capítulo 15 - Arrependimento para a Vida e Salvação

Capítulo 16 - Boas Obras

Capítulo 17 - A Perseverança dos Santos

Capítulo 18 - A Certeza da Graça e da Salvação

Capítulo 19 - A Lei de Deus

Capítulo 20 - O Evangelho e a Extensão de Sua Graça

Capítulo 21 - Liberdade Cristã e Liberdade de Consciência

Capítulo 22 - Adoração Religiosa e o Dia do Senhor

Capítulo 23 - Juramentos Legítimos e Votos

Capítulo 24 - Magistrado Civil

Capítulo 25 - Matrimônio

Capítulo 26 - A Igreja

Capítulo 27 - A Comunhão dos Santos

Capítulo 28 - Batismo e Ceia do Senhor

Capítulo 29 - Batismo

Capítulo 30 - A Ceia do Senhor

Capítulo 31 - O Estado do Homem Após a Morte; A Ressurreição dos Mortos

Capítulo 32 - O Juízo Final











Capítulo 1

As Escrituras Sagradas















CAPÍTULO 1


AS SAGRADAS ESCRITURAS

 

1. A SAGRADA ESCRITURA é a única regra suficiente, certa e infalível de conhecimento para a salvação, de fé e de obediência. [1] A luz da natureza, e as obras da criação e da providência, manifestam a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, de tal modo que os homens ficam inescusáveis; contudo não são suficientes para dar conhecimento de Deus e de sua vontade que é necessário para a salvação. [2]

Por isso, em diversos tempos e por diferentes modos, o Senhor foi servido revelar-se a si mesmo e declarar sua vontade à sua igreja. [3] E para a melhor preservação e propagação da verdade, e o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja, contra a corrupção da carne e a malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazer escrever por completo todo esse conhecimento de Deus e revelação de sua vontade necessários à salvação; o que torna a Escritura indispensável, tendo cessado aqueles antigos modos em que Deus revelava sua vontade a seu povo. [4]


[1] 2 Tm 3.15-17

Is.8.20

Lc.16.29,31

Ef.2.20

[2] Rm.1.19-21

Rm.2.14,15

Sl.19.1-3

[3] Hb.1.1

[4] Pv.22.19-21

Rm.15.4

2Pe.1.19,20







2. SOB O NOME de Sagradas Escrituras ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Velho Testamento e Novo Testamento, que são os seguintes:



O VELHO TESTAMENTO

Gênesis

1 Reis

Eclesiastes

Obadias

Êxodo

2 Reis

Cantares

Jonas

Levítico

1 Crônicas

Isaías

Miquéias

Números

2 Crônicas

Jeremias

Naum

Deuteronômio

Esdras

Lamentações

Habacuque

Josué

Neemias

Ezequiel

Sofonias

Juizes

Ester

Daniel

Ageu

Rute

Oséias

Zacarias

1 Samuel

Salmos

Joel

Malaquias

2 Samuel

Provérbios

Amós

 









O NOVO TESTAMENTO

Mateus

Efésios

Hebreus

Marcos

Filipenses

Tiago

Lucas

Colossenses

1 Pedro

João

1 Tessalonissenses

2 Pedro

Atos

2 Tessalonissenses

1 João

Romanos

1 Timóteo

2 João

1 Coríntios

2 Timóteo

3 João

2 Coríntios

Tito

Judas

Gálatas

Filemom

Apocalipse

 

Todos os quais foram dados por inspiração de Deus, para serem a regra de fé e vida prática. [5]

[5] 2 Tm.3.16


3. OS LIVROS comumente chamados Apócrifos, não sendo de inspiração divina, não fazem parte do cânon ou compêndio das Escrituras. Portanto, nenhuma autoridade têm para a Igreja de Deus, e nem podem ser de modo algum aprovados ou utilizados, senão como quaisquer outros escritos humanos. [6]


[6] Lc.24.27,44

Rm.3.2



 4. A AUTORIDADE da Sagrada Escritura, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas provém inteiramente de Deus, sendo Ele mesmo a verdade e o seu autor. A Escritura, portanto, tem que ser recebida, por ser a Palavra de Deus. [7]


[7] 2 Pe.1.19-21

2 Tm.3.16

2 Ts.2.13

1 Jo.5.9


5. PELO TESTEMUNHO da Igreja de Deus podemos ser movidos e persuadidos a ter em alto e reverente apreço as Sagradas Escrituras. A santidade do assunto, a eficácia da doutrina, a majestade do estilo, a harmonia de todas as partes, o propósito do todo (que é dar toda glória a Deus), a plena revelação que faz do único meio de salvação para o homem, e muitas outras excelências incomparáveis e perfeição completa, são argumentos pelos quais abundantemente se evidencia serem elas a Palavra de Deus. Contudo, a nossa plena persuasão e certeza quanto à sua verdade infalível e divina autoridade provém da operação interna do Espírito Santo, que pela Palavra e com a Palavra testifica aos nossos corações. [8]


[8] Jo.16.13,14

1Co.2.10-12

1Jo.2.20,27

 

6. TODO o conselho de Deus, concernente a todas as coisas necessárias para a sua própria glória, para a salvação do homem, a e a vida, está expressamente declarado ou necessariamente contido na Sagrada Escritura. A ela nada em tempo algum se acrescentará, quer por nova revelação do Espírito, quer por tradições de homens. [9] Entretanto, reconhecemos ser necessária a iluminação interior, da parte do Espírito de Deus, para a compreensão salvadora daquilo que é revelado na Palavra. [10] Reconhecemos que há algumas circunstâncias, concernentes à adoração a Deus e ao governo da igreja, que são peculiares às sociedades e costumes humanos, e que devem ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as normas gerais da Palavra que sempre devem ser observadas. [11]


[9] 2Tm.3.15-17

Gl.1.8,9

[10] Jo.6.45

1Co.2.9-1

[11] 1Co.11.13,14

1Co.14.26,40


7. NA ESCRITURA não são todas as coisas igualmente claras, nem igualmente evidentes para todos. [12] Mesmo assim, as coisas que precisam ser conhecidas, cridas e obedecidas para a salvação estão claramente propostas e explicadas em uma passagem ou outra; e, pelo devido uso de meios comuns, não apenas os eruditos, mas também os indoutos, podem obter uma compreensão suficiente de tais coisas. [13]


[12] 2 Pe.3.16

[13] Sl.19.7

Sl.119.130


8. O ANTIGO Testamento em hebraico (que era a língua vernácula do povo de Deus na antigüidade), [14] e o Novo Testamento em grego (que em sua época era a língua mais conhecida entre as nações), tendo sido diretamente inspirados por Deus e, pelo seu singular cuidado e providência, conservados puros no correr dos séculos, são, portanto, autênticos, de maneira que, em toda controvérsia de natureza religiosa, a Igreja deve apelar para eles como palavra final. [15]

Mas visto que essas línguas originais não são conhecidas de todo o povo de Deus – Que tem direito e interesse nas Escrituras, e que é ordenado a ler [16] e examinar [17] as Escrituras no temor de Deus – os Testamentos devem ser traduzidos para a língua de cada nação, [18] a fim de que, permanecendo a Palavra no povo de Deus, abundantemente, todos adorem a Deus e maneira aceitável, e pela paciência e consolação das Escrituras possam ter esperança. [19]


[14] Rm.3.2

[15] Is.8.20

[16] At.15.15

[17] Jo.5.39

[18] 1Co.14.6,9,11,12,24,28

[19] Cl.3.16


 9. A REGRA infalível de interpretação das Escrituras é a própria Escritura. Portanto, sempre que houver dúvida quanto ao verdadeiro e pleno sentido de qualquer passagem (sentido este que não é múltiplo, mas um único), essa passagem deve ser examinada em confrontação com outras passagens, que falem mais claramente. [20]


[20] 2Pe.1.20,21

At.15.15,16


10. O juiz supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas devem ser resolvidas e todos os decretos e concílios, todas as opiniões de escritores antigos e doutrinas de homens devem ser examinadas, e os espíritos provados, não pode ser outro senão a Sagrada Escritura entregue pelo Espírito Santo. Nossa fé recorrerá à Escritura para a decisão final. [21]


[21] Mt.22.29,31

Ef.2.20

At.28.23



























Capítulo 2

Deus e a Santíssima Trindade















CAPÍTULO 2


DEUS E A SANTÍSSIMA TRINDADE


1. O SENHOR nosso Deus é somente um, o Deus vivo e verdadeiro, [1] cuja subsistência está em si mesmo e provém de si mesmo; [2] infinito em seu ser e perfeição, cuja essência por ninguém pode ser compreendida, senão por Ele mesmo. [3] Ele é um espírito puríssimo, [4] invisível, sem corpo, membros ou paixões; o único que possui imortalidade, habitando em luz inacessível, a qual nenhum homem é capaz de ver; [5] imutável, 6 imenso, 7 eterno, [8] incompreensível, todo-poderoso; [9] em tudo infinito, santíssimo, [10] sapientíssimo; completamente livre e absoluto, operando todas as coisas segundo o conselho da sua própria vontade, [11] que é justíssima e imutável, e para a sua própria glória; [12] amantíssimo, gracioso, misericordioso, longânimo; abundante em verdade e benignidade, perdoando a iniquidade, a transgressão e o pecado; o recompensador daqueles que o buscam diligentemente; [13] contudo justíssimo e terrível em seus julgamentos, [14]odiando todo pecado, [15] e que de modo nenhum inocentará o culpado. [16]


[1] 1Co.8.4,6

Dt.6.4

[2] Jr.10.10

Is.48.12

[3] Êx.3.14

[4] Jo.4.24

[5] 1Tm.1.17

Dt.4.15,16

[6] Ml. 3.6

[7] 1Rs.8.27

Jr..23.23

[8] Sl.90.2

[9] Gn.17.1

[10] Is.6.3

[11] Sl.115.3

Is.46.10

[12] Pv.16.4

Rm.11.36

[13] Êx.34.6,7

Hb.11.6

[14] Ne.9.32,33

[15] Sl.5.5,6

[16] Êx.34.7

Na.1.2,3

 

2. DEUS tem em si mesmo e de si mesmo toda a vida, [17] glória, [18] bondade [19] e bem-aventurança. Somente ele é auto-suficiente, em si e para si mesmo; e não precisa de nenhuma das criaturas que fez, nem delas deriva glória alguma; [20] mas somente manifesta, nelas, por elas, para elas e sobre elas a sua própria glória. Ele, somente, é a fonte de toda existência: de quem, através de quem e para quem são todas as coisas, [21] tendo o mais soberano domínio sobre todas as criaturas, para fazer por meio delas, para elas e sobre elas tudo quanto lhe agrade. [22] Todas as coisas estão abertas e manifestas perante Ele; [23] o seu conhecimento é infinito, infalível e independe da criatura, de maneira que para Ele nada é contingente ou incerto. [24] Ele é santíssimo em todos os seus pensamentos, em todas as suas obras, [25] e em todos os seus mandamentos. A Ele são devidos, da parte de anjos e de homens, toda adoração, [26] todo serviço, e toda obediência que, como criaturas, eles devem a criador; e tudo mais que Ele se agrade em requerer de suas criaturas.


[17] jo.5.26

[18] Sl.148.13

[19] Sl.119.68

[20] Jó 22.2,3

[21] Rm.11.34-36

[22] Dn.4.25,34,35

[23] Hb.4.13

[24] Ez.11.5

At.15.18

[25] Sl.145.17

[26] Ap.5.12-14

 

3. NESTE SER DIVINO e infinito há três pessoas: o Pai, a Palavra (ou Filho) e o Espirito Santo; [27] de uma mesma substância, igual poder e eternidade, possuindo cada uma inteira essência divina, que é indivisível. [28] O Pai, de ninguém é gerado ou procedente; o Filho é gerado eternamente do Pai; [29] o Espirito Santo procede do Pai e do Filho, eternamente; [30] todos infinitos e sem princípio de existência. Portanto, um só Deus; que não deve ser divido em seu ser ou natureza, mas, sim, distinguido pelas diversas propriedades peculiares e relativas, e relações pessoais. Essa doutrina da Trindade é o fundamento de toda a nossa comunhão com Deus e confortável dependência dEle.


[27] 1Jo.5.7

Mt.28.19

2Co.13.13

[28] Êx.3.14

Jo.14.11

1Co.8.6

[29] Jo.1.14,18

[30] Jo.15.26

Gl.4.6




























Capítulo 3

O decreto de Deus















CAPÍTULO 3


O DECRETO DE DEUS


1. Desde toda a eternidade, Deus mesmo decretou todas as coisas que iriam acontecer no tempo; e isto Ele fez segundo o conselho da sua própria vontade, muita sábia e muito santa. [1] Fê-lo, porém, de um modo em que Deus em nenhum sentido é o autor do pecado, [2] nem se torna co-responsável pelo pecado, nem faz violência à vontade de suas criaturas, nem impede a livre ação das causas secundárias ou contingentes. Pelo contrário, estas causas secundárias são confirmadas; [3] e em tudo isso aparece a sabedoria de Deus em dispor de todas as coisas, e o seu poder e fidelidade em fazer cumprir seu decreto. [4]


[1] Is.46.10

Ef.1.11

Hb.6.17

Rm.9.15,18

[2] Tg.1.13

1Jo.1.5

[3] At.4.27,2

Jo.19.11

[4] Nm.23.19

Ef.1.3-5


2. EMBORA DEUS saiba tudo quanto pode ou poderá acontecer, [5] em todas as condições possíveis, Ele nada decretou por causa do seu conhecimento prévio do futuro ou daquilo que viria a acontecer em determinada situação. [6]


[5] At.15.18

[6] Rm.9.11,13,16,18

 

3. PELO DECRETO, e para manifestação da glória de Deus, alguns homens e alguns anjos são predestinados (ou preordenados) para a vida eterna através de Jesus Cristo, [7] para louvor da sua graça gloriosa. [8] Os demais são deixados em seu pecado, agindo para sua própria e justa condenação; e isto para louvor da justiça gloriosa de Deus. [9]


[7] 1Tm.5.21

Mt.25.34

[8] Ef.1.5,6

[9] Rm.9.22,23

Jd.4

 

4. OS ANJOS e homens predestinados (ou preordenados) estão designados de forma particular e imutável, e o seu número é tão certo e definido que não pode ser aumentado ou diminuído. [10]


[10] 2Tm.2.19

Jo.13.18

 

5. DENTRE A HUMANIDADE, aqueles que são predestinados para a vida, Deus os escolheu em Cristo para glória eterna; e isto de acordo com o seu propósito eterno e imutável, pelo conselho secreto e pelo beneplácito da sua vontade, antes da fundação do mundo, apenas por sua livre graça e amor, [11] nada havendo em suas criaturas que servisse como causa ou condição para essa escolha. [12]


[11] Ef.1.4,9,11

Rm.8.30

2tm.1.9

1ts.5.9

[12] Rm.9.13,16

Ef.2.5,12


 6. DEUS não apenas designou os eleitos para glória, de acordo com o propósito eterno e expontâneo da sua vontade, mas também preordenou todos os meios pelos quais o seu propósito será efetivado. [13] Por isso os eleitos, achando-se caídos em Adão, são redimidos em Cristo [14] e chamados eficazmente para a fé nEle, pela ação do Espírito Santo, e no seu devido tempo; e são justificados, adotados, santificados [15] e guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para salvação. [16]

Ninguém mais é redimido por Cristo, chamado eficazmente, justificado, adotado, santificado e salvo, senão unicamente os eleitos. [17]


13 1Pe.1.2

2Ts.2.13

14 1Ts.5.9,10

15 Rm.8.30

2Ts.2.13

16 1Pe.1.5

17 Jo.10.26

Jo.17.9

Jo.6.64

 

7. ESTE ALTO MISTÉRIO da predestinação deve ser tratado com especial prudência e cuidado, para que os homens, atentando para a vontade de Deus revelada em sua Palavra, e prestando-lhe obediência, possam assegurar-se de sua eleição eterna, [18] pela comprovação de sua chamada eficaz. Será desse modo que a doutrina da predestinação promoverá louvor, [19] reverência e admiração a Deus, bem como humildade, 20 diligência e consolação abundante para todos os que obedecem sinceramente ao evangelho. [21]


[18] 1Ts.1.4,5 [20] Rm.11.5,6,20

2Pe.1.10 [21] Lc.10.20

[19] Ef.1.6

Rm.11.33



















Capítulo 4

A Criação















CAPÍTULO 4


A CRIAÇÃO


1. NO PRINCÍPIO, aprouve ao Deus triuno (Pai, Filho e Espírito Santo), [1] para manifestação da glória do seu poder, [2] sabedoria e bondade eternais, criar ou fazer o mundo e todas as coisas que nele existem, tanto visíveis como invisíveis, no espaço de seis dias; e tudo muito bom. [3]


[1] Jo.1.2,3

Hb.1.2

Jó.26.13

[2] Rm.1:20

[3] Cl.1.16

Gn.1.31

 

2. DEPOIS de ter feito todas as demais criaturas, Deus criou o ser humano, homem e mulher, [4] dotados de uma alma racional e imortal. [5] E os adequou perfeitamente para a vida para Deus, para a qual foram criados, tendo sido feitos segundo a imagem de Deus, em conhecimento, retidão e verdadeira santidade, [6] possuindo a lei de Deus inscrita em seus corações, [7] e o poder para cumpri-la. No entanto havia a possibilidade de transgressão, pois foram deixados na liberdade e sua própria vontade, a qual estava sujeita a mudanças. [8]


[4] Gn.1.27.

[5] Gn.2.7

[6] Ec.7.29

Gn.1.26

[7] Rm.2.14,15

[8] Gn.3.6

Os.13.9



 3. ALÉM de terem a lei de Deus escrita em seus corações, eles também receberam a ordem de não comerem da árvore da ciência do bem e do mal; [9] enquanto obedeceram a esse preceito, foram felizes em sua comunhão com Deus e tiveram domínio sobre todas as criaturas. [10]


[9] Gn.2.17

[10] Gn.1.26,28








































Capítulo 5

A Providência Divina















CAPÍTULO 5


A PROVIDÊNCIA DIVINA


1. DEUS, o bom criador de todas as coisas, em seu poder e sabedoria infinitos. mantém, dirige, dispõe de, e governa todas as criaturas e coisas, [1] desde as maiores até às mínimas, [2] pela sua muito sábia e muito santa providência, para que cumpram com a finalidade para a qual foram criadas. Isso é feito de acordo com a infalível presciência de Deus e o conselho livre e imutável das sua própria vontade, para o louvor da glória de sua sabedoria, poder, justiça, bondade infinita e misericórdia.[3]


[1] Hb.1.3

Jó.38.11

Is.46.10,11

Sl.135.6

[2] Mt.10.29-31

[3] Ef.1.11

 

2. EM RELAÇÃO à presciência e ao decreto de Deus (que é a causa primária de tudo), todas as coisas acontecem imutável e infalivelmente, [4] de maneira que nada sucede por acaso ou fora da providência de Deus. [5] No entanto, por esta mesma providência, Deus dirige os acontecimentos por meio de causas secundárias, que operam livremente, ou como leis fixas, ou por interdependência.[6]


[4] At.2.23

[5] Pv.16.33

[6] Gn.8.22


3. NORMALMENTE, Deus faz uso de meios em sua providência, [7] mas é livre para operar sem, [8] acima de, [9] e contra [10] os meios ordinários, segundo bem entenda.


[7] At.27.31,44

Is.55.10,11

[8] Os.1.7

[9] Rm.4.19-21

[10] Dn.3.27

 

4. A ONIPOTÊNCIA, a sabedoria inescrutável e a infinita bondade de Deus se manifestam na providência, de um modo tão abrangente, que o seu conselho determinado se estende até mesmo à queda no pecado e a todos os outros atos pecaminosos, sejam de homens ou de anjos. [11] Isto envolve mais do que uma mera permissão, porque Deus, muito sábia e muito poderosamente, limita, regula e governa [12] os atos pecaminosos, em uma dispensação multiforme, atendendo aos santos desígnios de Deus. [13] Mesmo assim, a pecaminosidade desses atos procede das criaturas, e não de Deus, que, sendo muito santo e muito justo, não é nem pode ser o autor do pecado; e nem pode aprová-lo. [14]


[11] Rm.11.32-34

2Sm.24.1

1Cr.21.1

[12] 2Rs.19.28

Sl.76.10

[13] Gn.50.20

Is.10.6,7,12.

[14] Sl.50.21

1Jo.2.16


5. DEUS, que é muito sábio, justo e gracioso, muitas vezes deixa os seus próprios filhos entregues a várias tentações e à corrupção de seus próprios corações, por algum tempo: para castigá-los por antigos pecados, ou para mostrar-lhes o poder oculto da corrupção e do dolo em seus corações, a fim de que se humilhem; para levá-los a uma dependência mais constante e mais próxima de Deus; para torná-los mais vigilantes contra todas as futuras ocasiões de pecado; e para outros propósitos justos e santos. [15]

Por isso, tudo o que sobrevem aos eleitos acontece por designação divina, para a glória de Deus e o bem de seus filhos. [16]


[15] 2Cr.32.25,26,31

2Co.12.7-9

[16] Rm.8.28

 

6. QUANTO aos perversos e ímpios, Deus, como reto juiz, os cega e endurece, em razão de pecados anteriores. [17] Ele não apenas lhes nega a sua graça, pela qual poderiam ser iluminados no entendimento e transformados no coração; [18] às vezes Ele também lhes retira os dons que já possuíam, [19] e os expõe a situações que se tornam ocasiões de pecado, [20] por causa da corrupção. Em outras palavras, Ele os entrega às suas próprias paixões, às tentações do mundo e ao poder de Satanás, [21] de maneira que eles vêm a se endurecer, mesmo sob aquelas circunstâncias que Deus emprega para abrandamento de outras pessoas. [22]


[17] Rm.1.24-26,28 1Pe.2.7,8

Rm.11.7,8

[18] Dt.29.4

[19] Mt.13.12

[20] Dt.2.30

2Rs.8.12,13

[21] Sl.81.11,12

2Ts.2.10-12

[22] Êx.8.15,32.

Is.6.9,10


7. A PROVIDÊNCIA de Deus se estende a todas as criaturas, em geral; mas, acima de tudo, cuida de sua igreja, e tudo dispõe para o bem dela. [23]


[23] 1Tm.4.10

Am.9.8,9

Is.43.3-5




















Capítulo 6

A Queda do homem; o pecado e a sua punição















CAPÍTULO 6


A QUEDA DO HOMEM; O PECADO E SUA PUNIÇÃO


1. Deus criou o homem justo e perfeito, e lhe deu uma lei justa, que lhe seria para vida, se a guardasse, ou para morte, se a desobedecesse. [1] Mesmo assim o homem não manteve por muito tempo a sua honra. Satanás valeu-se da astúcia da serpente para seduzir Eva; e esta seduziu a Adão, que, sem ser compelido, transgrediu voluntariamente a lei instituída na criação, e a ordem de não comer do fruto proibido. [2] De acordo com seu conselho sábio e santo, aprouve a Deus permitir a transgressão, porque, no âmbito do seu propósito, mesmo isso Ele usaria para a sua própria glória.


[1] Gn.2.16,17

[2] Gn.3.12,13

2Co.11.3

 

2. Por esse pecado, nosso primeiros pais decaíram de sua condição original de retidão e comunhão com Deus. No pecado deles nós também pecamos, e por isso a morte veio sobre todos; [3] todos se tornaram mortos no pecado [4] e totalmente corrompidos, em todas as faculdades e partes do corpo e da alma. [5]


[3] Rm.3.23

[4] Rm.5.12

[5] Tt.1.15

Gn.6.5

Jr.17.9

Rm.3.10-19

 

3. Sendo eles os ancestrais e, pelo desígnio de Deus, os representantes de toda humanidade, a culpa do pecado foi imputada a toda a sua posteridade, e a corrupção natural passou a todos os seus descendentes, [6] por nascimento, visto que todos são concebidos em pecado. [7] E são por sua natureza filhos da ira, [8] escravos do pecado e passíveis de morte; [9] e estão todos sujeitos às misérias espirituais, temporais e eternais, a menos que o Senhor Jesus os liberte. [10]


[6] Rm.5.12-19

1Co.15.21,22,45,49

[7] Sl.51.5

Jó14.4

[8] Ef.2.3

[9] Rm.6.20

Rm.5.12

[10] Hb.2.14,15

1Ts.1.10

 

4. Da corrupção natural procedem todas as atuais transgressões, [11] porque ela nos torna completamente indispostos, incapacitados e contrários a todo bem, e totalmente inclinados para todo o mal. [12]


[11] Tg.1.14,15

Mt.15.19

[12] Rm.8.7

Cl.1.21

 

5. Durante esta vida, a corrupção de natureza permanece, mesmo naqueles que são regenerados. [13] E embora ela seja perdoada e mortificada mediante Cristo, a corrupção em si, as suas inclinações, e o que dela procede, tudo é verdadeiramente pecado. [14]


[13] Rm.7.18,23

Ec.7.20

1Jo.1.8

[14] Rm.7.23-25

Gl.5.17

















Capítulo 7

O Pacto de Deus















CAPÍTULO 7


O PACTO DE DEUS


1. A DISTÂNCIA entre Deus e a criatura é tão grande que, embora as criaturas racionais lhe devam obediência, por ser Ele o criador, elas jamais poderiam alcançar o Dom da vida, senão por alguma condescendência voluntária da parte de Deus. [1] E isto Ele se agradou em expressar por meio de um pacto com o homem.


[1] Lc.17.10

.35.7,8

 

2. TENDO o homem trazido sobre si mesmo a maldição da lei, por causa de sua queda no pecado, o Senhor teve por bem estabelecer o pacto da graça. [2] Neste pacto Deus oferece gratuitamente, a pecadores, vida e salvação por Jesus Cristo, requerendo-lhes nEle para que sejam salvos, [3] e prometendo dar o Espírito Santo a todos os que estão destinados para a vida eterna, para lhes dar a vontade e a capacidade para crerem. [4]


[2] Gn.2.17

Gl.3.10

Rm.3.20,21

[3] Rm.8.3

Mc.16.15,16

Jo.3.16

[4] Ez.36.26,27

Jo.6.44,45

Sl.110.3

 







3. ESTE PACTO está revelado no evangelho: primeiramente na promessa feita a Adão, de salvação pelo descendente da mulher; [5] depois, por etapas sucessivas, até que sua plena revelação foi manifestada no Novo Testamento. [6]. O pacto está fundamentado na eterna aliança que havia entre o Pai e o Filho para a redenção dos eleitos; [7] é somente pela graça deste pacto que os descendentes de Adão que são salvos obtêm vida e uma bendita imortalidade, pois o homem é agora totalmente incapaz de ser aceito diante de Deus nos mesmos termos em que Adão vivia, em seu estado de inocência. [8]


[5] Gn.3.15

[6] Hb.1.1

[7] 2Tm.1.9

Tt.1.2

[8] Hb.11.6,13

Rm.4.1,2

At.4.12

Jo.8.56






























Capítulo 8

Cristo o Mediador















CAPÍTULO 8


CRISTO, O MEDIADOR


1. EM SEU propósito eterno, e de acordo com o pacto estabelecido entre ambos, aprouve a Deus escolher e destinar o Senhor Jesus Cristo, seu Filho unigênito, para ser o mediador entre Deus e os homens; [1] para ser o profeta, [2] sacerdote [3] e rei; [4] o cabeça e Salvador de sua Igreja; [5] o herdeiro de todas as coisas [6] e juiz do mundo. [7] Desde toda a eternidade, Deus deu-Lhe um povo para ser sua descendência, e para que, em tempo, esse povo seja por Ele redimido, chamado, justificado, santificado e glorificado. [8]


[1] Is.42.1

1Pe.1.19,20

[2] At.3.22

[3] Hb.5.5,6

[4] Sl.2.6

Lc.1.33

[5] Ef.1.22,23

[6] Hb.1.2

[7] At.17.31

[8] Is.53.10

Jo.17.6

Rm.8.30

 

2. O FILHO de Deus, Segunda pessoa da Trindade Santasendo o próprio Deus eterno, o resplendor da glória do Pai, da mesma essência e igual ao Pai - ,Ele fez o mundo, sustém e governa todas as coisas que criou. Quando veio a plenitude do tempo, Ele tomou sobre si a natureza humana, com todas as suas propriedades essenciais e fraquezas comuns [9] – porém, sem pecado. [10]

E foi concebido pelo Espírito Santo, no ventre da Virgem Maria (pois o Espírito Santo desceu sobre ela, e o poder do Altíssimo a envolveu). Foi nascido de mulher, da tribo de Judá, da descendência de Abraão e de Davi, segundo previam as Escrituras. [11]

Desse modo, duas naturezas completas, perfeitas e distintas foram inseparavelmente unidas, em uma única pessoa, sem conversão, composição ou confusão. E essa pessoa é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem; no entanto, um Cristo, o único mediador entre Deus e os homens. [12]


[9] Jo.1.14

Gl.4.4

[10] Rm.8.3

Hb.2.14,16,17

Hb.4.15

[11] Mt.1.22,23:

Lc.1.27,31,35

[12] Rm.9.5

1Tm.2.5

 

3. EM SUA natureza humana assim unida à divina, na pessoa do Filho, o Senhor Jesus foi santificado e ungido com o Espírito Santo, sobremaneira. [13] Nele se encontram todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento, [14] porque aprouve ao Pai que nEle habitasse toda plenitude, [15] a fim de que, sendo santo, inculpável e sem mácula, [16] cheio de graça e de verdade, [17] Ele fosse plenamente qualificado para exercer o oficio de mediador e fiador, [18] ofício que Ele mesmo não tomou para si, mas para o qual foi chamado por seu Pai. [19] E o Pai lhe conferiu às mãos toda autoridade e julgamento, e ordenou que executasse essa autoridade. [20]


[13] Sl.45.7

At.10.38

Jo.3.34

[14] Cl.2.3

[15] Cl.1.19

[16] Hb.7.26

[17] Jo.1.14

[18] Hb.7.22

[19] Hb.5.5

[20] Jo.5.22,27

Mt.28.18

At.2.36


4. ESSE ofício o Senhor Jesus assumiu de muitíssima boa vontade [21] e cumpriu perfeitamente; foi para isso que nasceu sob a lei. [22] Ele suportou o castigo que a nós era devido, que nós deveríamos ter recebido e sofrido. [23] E foi feito pecado e maldição, por nossa causa, [24] suportando as tristezas mais aflitivas em sua alma, e os sofrimentos mais dolorosos em seu corpo. [25] Foi crucificado e morreu; e, embora tenha estado sob o poder da morte, seu corpo não viu corrupção. [26] Ao terceiro dia Ele se levantou dentre os mortos, [27] com o mesmo corpo em que havia sofrido, [28] e com o qual ascendeu ao céu. [29] Ele está assentado à direita de seu Pai, como intercessor, [30] e voltará para julgar homens e anjos, no fim do mundo. [31]


[21] Sl.40.7,8

Hb.10.5-10

Jo.10.18

[22] Gl.4.4

Mt.3.15

[23] Gl.3.13

Is.53.6

1Pe.3.18

[24] 2Co.5.21

[25] Mt.26.37,38

Lc.22.44

Mt.27.46

[26] At.13.37

[27] 1Co.15.3,4

[28] Jo.20.25,27

[29] Mc.16.19

At.1.9-11

[30] Rm.8.34

Hb.9.24

[31] At.10.42

Rm.14.9,10

At.1.11

2 Pe.2.4

 


5. POR SUA obediência perfeita, e pelo sacrifício que fez de si mesmo (que Ele, pelo Espírito Santo, ofereceu a Deus uma única vez), o Senhor Jesus satisfez plenamente a justiça de Deus, [32] obteve a reconciliação e adquiriu uma herança eterna no reino dos céus, para todos quantos foram dados a Ele pelo Pai. [33]


[32] Hb.9.14

Hb.10.14

Rm.3.25,26

[33] Jo.17.2

Hb.9.15

 

6. O PREÇO da redenção não foi pago por Cristo senão após a sua encarnação. No entanto, a virtude, a eficácia e os benefícios da redenção foram sucessivamente comunicados aos eleitos, em todas as eras, desde o começo do mundo, nase através daspromessas, tipos e sacrifícios em que Cristo foi revelado, e que o apontavam como o descendente da mulher, aquele que iria esmagar a cabeça da serpente; [34] e como o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo, [35] o mesmo ontem, hoje e para sempre. [36]


[34] 1Co.10.4

Hb.4.2

1Pe.1.10,11

[35] Ap.13.8

[36] Hb.13.8





7. CRISTO, na obra de mediação, age de acordo com suas duas naturezas, cada uma delas atuando como lhe é próprio. Mesmo assim, em razão da unidade de pessoa, aquilo que é próprio de uma natureza às vezes é atribuído à pessoa de Cristo pelo nome de sua outra natureza. [37]


[37] Jo.3.13

At.20.28

 8. CRISTO certamente aplica e comunica eficazmente a redenção eterna, para todos quantos Ele a obteve: fazendo intercessão por eles; [38] unindo-os a si mesmo por seu Espírito; revelando-lhes o mistério da salvação, na Palavra e pela Palavra; persuadindo-os a crer e obedecer; [39] governando os corações deles por seu Espírito e sua Palavra; [40]e vencendo todos os inimigos deles, por seu poder e sabedoria infindos, [41] de modo tal e por caminhos que são os mais harmoniosos com a sua maravilhosa e insondável providência; e tudo por sua graça livre e soberana, sem a precondição de neles ter sido vista de antemão uma busca pela redenção. [42]


[38] Jo.6.37

Jo.10.15,16

Jo.17.9

Rm.5.10

[39] Jo.17.6

Ef.1.9

1Jo.5.20

[40] Rm.8.9,14

[41] Sl.110.1

1Co.15.25,26

[42] Jo.3.8

Ef.1.8

 



9. ESTE OFÍCIO de mediador entre Deus e os homens cabe exclusivamente a Cristo, que é profeta, sacerdote e rei da Igreja de Deus; e nem em parte nem totalmente pode ser transferido de Cristo para qualquer outrem. [43]


[43] 1Tm.2.5

 

10. ESTE NÚMERO e ordem de ofícios é necessário. Precisamos de seu ofício profético, por causa de nossa ignorância. [44] Por causa de nossa alienação de Deus, e da imperfeição de nossos melhores serviços, precisamos de seu ofício sacerdotal para nos reconciliar e apresentar aceitáveis a Deus. [45] E, para nosso resgate e segurança, contra nossos adversários espirituais, precisamos de seu ofício real para nos convencer, subjugar, atrair, sustentar, libertar e preservar para o seu reino celestial. [46]


[44] Jo.1.18

[45] Cl.1.21

Gl.5.17

[46] Jo.16.8

Sl.110.3

Lc.1.74,75






































Capítulo 9

Livre Arbítrio















CAPÍTULO 9


LIVRE ARBÍTRIO


1. DEUS dotou a vontade humana com a liberdade e o poder natural de agir por escolha, sem ser forçada ou predeterminada por alguma necessidade natural para fazer o bem ou o mal. [1]


[1] Mt.17.12

Tg.1.14

Dt.30.19

 

2. O HOMEM, em seu estado de inocência, tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que era bom e agradável a Deus. [2] Essa, porém, era uma condição mutável, pois o homem podia decair dessa liberdade de poder. [3]


[2] Ec.7.29

[3] Gn.3.6

 

3. COM A QUEDA no pecado, o homem perdeu completamente toda a sua habilidade volitiva para aquele bem espiritual que acompanha a salvação. [4] Por isso, o homem natural é inteiramente adverso a esse bem, e está morto em pecados. [5] Ele não é capaz de se converter por seu próprio esforço, e nem mesmo de se dispor a isso. [6]


[4] Rm.8.7

Rm.5.6

[5] Ef.2.1,5

[6] Tt.3.3-5

Jo.6.44

 





4. QUANDO DEUS converte um pecador, e o transfere para o estado de graça, Ele o liberta da sua escravidão natural do pecado, [7] e, somente pela graça, o habilita a livremente querer e fazer aquilo que é espiritualmente bom. [8] Mesmo assim, por causa de certas corrupções que permanecem, o homem redimido não faz o bem perfeitamente e nem deseja somente aquilo que é bom, mas também o que é mau. [9]


[7] Cl.1.13

Jo.8.36

[8] Fl.2.13

[9] Rm.7.15,18,19,21,23

 

5. Somente no estado de glória a vontade do homem será transformada, perfeita e imutavelmente; 10 e então será livre para fazer apenas o bem.

10 Ef.4.13: ... até que todos cheguemos à unidade da e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, ...































Capítulo 10

A chamada eficaz















CAPÍTULO 10


A CHAMADA EFICAZ


1. AQUELES a quem Deus predestinou para a vida, Ele se agrada em chamar eficazmente, [1] no tempo aceitável e por Ele mesmo determinado; por meio de sua Palavra e de seu Espírito; do estado natural de pecado e morte, para a graça e a salvação por Jesus Cristo. [2] Isso Deus faz iluminando-lhes a mente de maneira espiritual e salvadora, para que compreendam as coisas de Deus; [3] tirando-lhes o coração de pedra e dando-lhes um coração de carne; [4] renovando-lhes a vontade e, pela sua onipotência, predispondo-os para o bem e trazendo-os irresistivelmente para Jesus Cristo. [5] No entanto, eles vêm a Cristo espontânea e livremente, porque a graça de Deus lhes dispõe o coração para isso. [6]


[1] Rm.8.30

Rm11.7

Ef.1.10,11

[2]Ts.2.13,14

Ef.2.1-6

[3] At.26.18

Ef.1.17,18

[4] Ez.36.26

[5] Dt.30.6

Ex.36.27

Ef.1.19

[6] Sl.110.3

 

2. A CHAMADA EFICAZ é resultante da graça especial e gratuita, de Deus, e não de algo que de antemão seja visto no homem; e nem de poder algum ou ação da criatura cooperando com a graça especial de Deus. [7] Por estar morta em pecados e transgressões, a criatura mantém-se totalmente passiva, até que, na chamada eficaz, ela seja vivificada e renovada pelo Espírito Santo. [8] A pessoa, então, é habilitada a responder a essa chamada e a abraçar a graça que ela comunica e oferece. Para isso é necessário um poder que de modo nenhum é menor do que aquele que ressuscitou a Cristo dentre os mortos. [9]


[7] 2Tm.1.9

Ef.2.8

8 1Co.2.14

Ef.2.5

Jo.5.25

9 Ef.1.19,20

 

3. AS CRIANÇAS que morrem na infância, se eleitas, são regeneradas e salvas por Cristo, através do Espírito, [10] que obra quando, onde e como lhe agrada. [11] Do mesmo modo são salvas todas as outras pessoas incapazes de serem chamadas exteriormente, pelo ministério da Palavra.


[10] Jo.3.3,5,6

[11] Jo.3.8

 

4. OUTROS, não eleitos, podem ser chamados pelo ministério da Palavra, e desfrutar de algumas operações comuns do Espírito Santo. [12] Contudo, por não serem eficazmente trazidos a Cristo, pelo Pai, eles não desejam nem podem realmente vir a Cristo; e, portanto, não podem ser salvos. [13] Muito menos poderão ser salvos os que não seguem a religião cristã, por mais diligentes que sejam em conformar suas vidas à luz da natureza e aos ensinamentos da religião que professam. [14]


[12] Mt.22.14

Mt.13.20,21

Hb.6.4,5

[13] Jo.6.44,45,65

1Jo.2.24,25

[14] At.4.12

Jo.4.22

Jo.17.3














Capítulo 11

A Justificação















CAPÍTULO 11


A JUSTIFICAÇÃO


1. AQUELES a quem Deus chama eficazmente, Ele também os justifica, gratuitamente; [1] não por infundir-lhes justiça, mas perdoando-lhes os pecados, considerando-os e aceitando-os como pessoas justas; [2] não por coisa alguma realizada neles ou por eles mesmos feita, mas unicamente por consideração a Cristo; [3] não por imputar-lhes como justiça a , o ato de crer, ou qualquer outra obediência evangélica, mas por imputar-lhes a obediência ativa de Cristo (a toda a lei) e sua obediência passiva (na morte), como total e única justiça deles, [4] que recebem a Cristo e nEle descansam, pela . e esta , não a tem de si mesmos, é Dom de Deus. [5]


[1] Rm.3.24

Rm.8.30

[2] Rm.4.5-8

Ef.1.7

[3] 1Co.1.30,31

Rm.5.17-19

[4] Fp.3.8,9

Ef.2.8-10

[5] Jo.1.12

Rm.5.17

 

2. A , assim recebendo e apoiando-se em Cristo e sua justiça, é o único instrumento de justificação. [6] Porém, ela não está sozinha na pessoa justificada: está sempre acompanhada de todas as outras graças salvadoras; e não é uma morta, pois atua pelo amor. [7]


[6] Rm.3.28

[7] Gl.5.6

Tg.2.17,22,26


 

3. PELA SUA obediência e morte, Cristo pagou plenamente a dívida de todos os que são justificados. A favor destes, pelo sacrifício de si mesmo, no sangue da sua cruz, Ele deu satisfação adequada, verdadeira e plena à justiça de Deus, quando tomou o lugar deles e recebeu a punição que a eles era devida. [8] O Pai voluntariamente concedeu Cristo, e livremente aceitou a obediência de Cristo e o seu cumprimento da Lei, em substituição, a favor dos que seriam justificados, sem que neles houvesse mérito algum. [9] Portanto, justificação advém exclusivamente da graça gratuita, para tanto a justiça rigorosa como a abundante graça de Deus possam ser glorificadas na justificação de pecadores, [10]


[8] Hb.10.14

1Pe.1.18,19

Is.53.5,6

[9] Rm.8.32

2Co.5.21

[10] Rm.3.26

Ef.1.6,7

Ef.2.7

 

4. DESDE toda eternidade, Deus decretou justificar a todos os eleitos. [11] Vindo a plenitude do tempo, Cristo morreu pelos pecados e ressuscitou para a justificação deles. [12] Entretanto, os eleitos não são justificados individualmente enquanto o Espírito Santo não lhes aplica, em tempo oportuno, a pessoa de Cristo e os benefícios de sua obra. [13]


[11] Gl.3.8

1Pe.1.2

1Tm.2.6

[12] Rm.4.25

[13] Cl.1.21,22

Tt.3.4-7

 






5. DEUS continua a perdoar os pecados daqueles que são justificados. [14] Embora jamais possam decair do estado de justificação, [15] eles, no entanto, podem incorrer no desagrado paternal de Deus, [16] por causa de seus pecados. E, nesse estado, eles geralmente não podem desfrutar da luz da presença de Deus, até que se humilhem, confessem o seu pecado, peçam perdão e renovem a sua e arrependimento. [17]

[14] Mt.6.12

1Jo.1.7,9

[15] Jo.10.28

[16] Sl.89.31-33

[17] Sl.32.5

Sl.51

Mt.26.75

 

6. A JUSTIFICAÇÃO dos crentes, no Antigo Testamento, em todos estes aspectos, foi igual à justificação dos crentes no Novo Testamento. [18]


[18] Gl.3.9

Rm.4.22-24




























Capítulo 12

A adoção















CAPÍTULO 12


A ADOÇÃO


1. Em seu único Filho, Jesus Cristo, e, por causa dEle, Deus é servido fazer participantes da graça da adoção todos quantos são justificados. [1] Por essa graça eles são recebidos no número dos filhos de Deus, [2] e desfrutam das liberdades e privilégios dessa condição; recebem sobre si o nome de Deus; [3] recebem o espírito de adoção; [4] têm acesso com ousadia ao trono de graça, e clamam Aba, Pai; [5] recebem compaixão, [6] proteção, [7] e a provisão de suas necessidades. [8] E são castigados por Deus, como por um pai; [9] porém, jamais são lançados fora, [10] pois estão selados para o dia da redenção. [11] E herdam as promessas, na qualidade de herdeiros da salvação eterna. [12]


[1] Ef.1.5

Gl.4.4,5

[2] Jo.1.12

Rm.8.17

[3] 2Co.6.18

Ap.3.12

[4] Rm.8.15

[5] Gl.4.6

Ef.2.18

[6] Sl.103.13

[7] Pv.14.26

[8] 1Pe.5.7

[9] Hb.12.6

[10] Is.54.8,9

Lm.3.31

[11] Ef.4.30

[12] Hb.1.14

Hb.6.12














Capítulo 13

A Snatificação















CAPÍTULO 13


A SANTIFICAÇÃO


1. OS QUE estão unidos a Cristo, tendo sido chamados eficazmente e regenerados, possuem agora um novo coração e um novo espírito, criados nele por mérito da morte e da ressurreição de Cristo; [1] e, por esse mesmo mérito, são mais e mais santificados individualmente, pela atuação da Palavra e do Espírito de Cristo neles habitando. [2] O domínio de tudo que é pecado, sobre eles, é destruído; [3] as suas várias concupiscências vão sendo sempre mais enfraquecidas e mortificadas; [4] e os crentes mais e mais são vivificados e fortalecidos, em todas as graças salvadoras, [5] para praticarem toda a verdadeira santidade, “sem a qual ninguém verá o Senhor”. [6]


[1] At.20.32

Rm.6.5,6

[2] Jo.17.17

Ef.3.16-19

1Ts.5.21-23

[3] Rm.6.14

[4] Gl.5.24

[5] Cl.1.11

[6] 2Co.7.1

Hb.12.14

 

2. A SANTIFICAÇÃO abrange o homem todo, [7] ainda que imperfeita enquanto nesta vida. Em toda parte ainda permanecem alguns resíduos de corrupção, [8] dos quais provém uma guerra irreconciliável: a carne militando contra o Espírito, e o Espírito militando contra a carne. [9]


[7] 1Ts.5.23

[8] Rm.7.18,23

[9] Gl.5.17

1Pe.2.11


3. NESTA guerra, embora a corrupção remanescente possa muito prevalecer, [10] por algum tempo, o contínuo suprimento de força, pelo Espírito de Cristo, santificador, faz com que a parte regenerada afinal vença. [11] E, desse modo, os santos cresçam em graça, aperfeiçoando a sua santidade no temor de Deus e esforçando-se por viver uma vida piedosa, em obediência evangélica a todos os mandamentos que Cristo, como Cabeça e Rei, lhes prescreveu em sua Palavra. [12]


[10] Rm.7.23

[11] Rm.6.14

[12] Ef.4.15,16

2Co.3.18

2Co.7.1


































Capítulo 14

Fé salvadora















CAPÍTULO 14


SALVADORA


1. A GRAÇA de é uma obra do Espírito de Cristo nos corações, [1] e por ela os eleitos são habilitados a crer para a salvação de suas almas. Normalmente essa obra é lavrada pelo ministério da Palavra de Deus. [2] E com a Palavra, a administração do Batismo, a Ceia do Senhor, a oração e outros meios designados por Deus, a é aumentada e fortalecida. [3]


[1] 2Co.4.13

Ef.2.8

[2] Rm.10.14,17

[3] Lc.17.5

1Pe.2.2

At.20.32

 

2. POR ESTA o cristão crê ser verdadeiro tudo quanto é revelado na Palavra, [4] a qual se reveste da autoridade do próprio Deus. E também reconhece a sobreexcelência da Palavra, acima de todos os escritos e todas as demais coisas neste mundo [5] – por ela demonstrar a glória de Deus nos atributos de Deus; a excelência de Cristo na natureza e nos ofícios de Cristo; o poder e a plenitude do Espírito Santo nas obras e operações do Espírito. Reconhecendo tudo isso, o cristão é capacitado a confiar sua alma irrestritamente à verdade assim crida; [6] e a reagir coerentemente, segundo a índole de cada passagem em particular: prestando obediência aos mandamentos; [7] tremendo ante as ameaças; [8] e abraçando as promessas de Deus para esta vida e a que de ser. [9] Mas os atos mais importantes da salvadora relacionam-se diretamente a Cristo: aceitar a Cristo, recebê-lo, e confiar exclusivamente nEle para a justificação, a santificação e a vida eterna, conforme as disposições do pacto da graça. [10]


[4] At.24.14

[5] Sl.19.7-10

Sl.119.72

[6] 2Tm.1.12

[7] Jo.15.14

[8] Is.66.2

[9] Hb.11.13

[10] Jo.1.12

At.16.31

Gl.2.20

At.15.11

 

3. ESTA FÉ pode ter graduações diferentes, ser mais forte ou mais fraca. [11] No entanto, assim como as demais graças salvadoras, e mesmo se for pequeníssima, ela é de um tipo e de uma natureza diferentes daquela e da graça comum que os seguidores professos possuem. [12] Por isso, mesmo que seja muitas vezes atacada e enfraquecida, a salvadora sempre alcança a vitória. [13] Ela existe em muitas pessoas, crescendo para a plena certeza da esperança, [14] mediante Cristo, que é o autor e também o consumador da nossa . [15]


[11] Hb.5.13,14

Mt.6.30

Rm.4.19,20

[12] 2Pe.1.1

[13] Ef.6.16

1Jo.5.4,5

[14] Hb.6.11,12

Cl.2.2

[15] Hb.12.2





















Capítulo 15

Arrependimento para vida e salvação















CAPÍTULO 15


ARREPENDIMENTO PARA VIDA E SALVAÇÃO


1. entre os eleitos aqueles cuja conversão não se senão após uma certa idade, depois de eles terem vivido algum tempo em seu estado natural e servido a vários prazeres e concupiscências. Mas Deus, ao chamá-lo eficazmente, concede-lhes o arrependimento para vida. [1]

[1] Tt.3.2-5

 

2. NÃO quem faça o bem e que não peque; [2] sob a força da tentação, mesmo as melhores pessoas podem cair em grandes pecados e provocações contra Deus, pois existe no interior do homem um poder enganoso de corrupção. Foi por isso que Deus, no pacto da graça, providenciou misericordiosamente para que os crentes, caindo em pecado, sejam restaurados mediante o arrependimento para a salvação. [3]


[2] Ec.7.20

[3] Lc.22.31,32

 

3. ESTE arrependimento salvador é uma graça evangélica, [4] por intermédio da qual a pessoa, por obra do Espírito Santo, é levada a sentir os múltiplos males do seu pecado, e, com em Cristo, humilha-se por causa do pecado, com uma tristeza santa, ódio ao pecado e repugnância a si mesma, [5] orando por perdão e fortalecimento na graça, com o propósito e o empenho de caminhar diante de Deus de um modo agradável em todas as coisas, [6] com o auxílio do Espírito Santo.


[4] Zc.12.10

At.11.18

[5] Ez.36.31

2Co.7.11

[6] Sl.119.6,128


 

4. POR TRAZERMOS conosco “o corpo desta morte”, e as suas inclinações para o mal, o arrependimento deve continuar por toda a vida. Cada pessoa tem o dever de